( Como liberar nossos filhos da manifestação de nossas sombras.)
“Aquilo que os adultos consideram falta de respeito entre
eles, lhes parece natural quando se trata de crianças.” Laura Gutman (nesse livro)
Quando não sabemos o que será do nosso dia, gastamos a maior
parte do dia tentando descobrir. Quando sabemos, no entanto, o dia flui e é
mais aproveitado e produtivo.
Quando não sabemos o que acontece ao nosso redor, cada nova
informação é assustadora e surpreendente, e não conseguimos nos preparar nem
nos organizar para ela. Quando compreendemos, no entanto, ficamos mais seguros
e conseguimos tirar o melhor da situação.
O direito à verdade na comunicação nada mais é do que a
compreensão clara do que realmente se passa. Quando isso não acontece entre
adultos, gera conflitos e complicações, ao passo que quando as coisas estão
claras tudo flui com mais facilidade. Todos podem se preparar, podem se
organizar, e portanto não são surpreendidos e sente-se seguros.
Mas, quando se trata de crianças, temos a tendência de não
seguir esses padrões. Não comunicamos, não conversamos, não preparamos. E a
criança aprende a ser levada e trazida, deixada e buscada, sem sequer entender
o que se passa, para onde vai, e o que está por vir. Elas acabam por se
acostumar a não serem consideradas, se acostumar a não ter que decidir nem se
preparar, se tornando alheias ao que lhe acontece ao redor e sem iniciativa.
Outro padrão que tendemos a seguir diferente entre adultos e
crianças são as formas de tratamento. O jeito de falar, reagir, questionar.
Muitas vezes, fala-se com as crianças de maneiras que jamais se atreveriam
falar com adultos. Questionando, impondo, e principalmente, não dando o direito
à resposta. Infelizmente, a falta de respeito e consideração pelo que a criança
pensa ou sente acaba muitas vezes sendo um padrão, por motivos culturais ou pessoais,
o que leva muitas crianças a crescerem inseguras e desrespeitosas.
Vamos ao exemplo?
Se o marido chega em casa tarde da noite sem ter avisado à
esposa que demoraria, ela logo reclama seu direito à ter sabido de antemão de
sua demora. Quando se trata de crianças,
muitas vezes sequer avisamos quando vamos e quando voltamos, quanto
tempo vamos demorar ou o que esperar daquele dia.
Se a esposa chega em casa mal humorada, brava, e não fala
nada, o marido logo imagina que tem algo a ver com o mal humor. Se ela se cala
toda a noite, até que conversem ele ficará aflito e cheio de suposições. Se
logo no inicio ela lhe fala que algo lhe aconteceu no trabalho, que está cansada, que quer
espaço, ele logo entende e o resto da noite lhe respeita o espaço.
Mas com crianças, muitas vezes não falamos o que sentimos.
Por achar que elas não vão entender ou por qualquer outro motivo, calados, mas
ainda sim obviamente sentidos de algo, deixamos a criança aflita e solta, quem
sabe sentindo-se culpada e pedindo atenção.
Quando verbalizamos para as crianças o que está por vir, permitimos que elas se preparem para isso. Quando comunicamos aos nossos filhos sobre o dia que teremos, aonde vamos, o que vamos fazer, quanto tempo vamos demorar, etc, damos à eles a oportunidade de se preparar e, mais importante ainda, se adaptar à essas realidades. A adaptação de bebês e crianças às situações corriqueiras do nosso dia a dia tem um padrão particular, e faz-se necessário respeitá-lo para que a criança consiga transitar de uma situação à outra sem que isso seja uma ruptura. Falamos mais disso aqui, vale a pena ler.
Quando verbalizamos o que sentimos, permitimos que elas separem nosso comportamento do sentimento delas, possibilitando que elas participem da realidade do que se passa, sem que se culpem por isso.
Com relação à bebês em fusão com a mãe, a verbalização permite, ainda, que a criança se libere da manifestação da sombra da mãe, uma vez que ambos compreendem o que se passa com clareza. Ambos têm acesso à verdade.
Com relação à bebês em fusão com a mãe, a verbalização permite, ainda, que a criança se libere da manifestação da sombra da mãe, uma vez que ambos compreendem o que se passa com clareza. Ambos têm acesso à verdade.
O direito à verdade na comunicação tem outra importância enorme:
o direito de dizer a verdade. Quando verbalizamos, expondo o que pensamos e
sentimos, além de permitir ao outro a participação, também nos conscientizamos
e assumimos o que é nosso. Isto é, para a criança é tão importante ouvir quanto
é para você falar e expressar aquilo pelo qual está passando.
Conseguimos nos organizar dentro do que dissemos, ficar
presentes para o que realmente sentimos, e lidar com isso da maneira como
podemos. Liberamos aqueles que nos rodeiam da dúvida, e nos liberamos daquilo
que estava preso em nós.
Garantir o direito à verdade na comunicação é um exercício,
um hábito que deve ser desenvolvido com o tempo. Pode levar um tempinho e ser
difícil no começo, mas como todo hábito saudável, ao se tornar automático será
um suspiro de alívio nos relacionamentos que te rodeiam.
Principalmente no mais importante de todos: com você mesmo!
Quando temos hábitos saudáveis, os ensinamos às crianças
naturalmente.
Quando temos crianças em nosso convívio, temos a
oportunidade de olhar para dentro de nós e decidir por nos tornar o melhor que
podemos, para que eles aprendam a ser o melhor que lhes cabe.
Caso não tenha
hábitos saudáveis, fique tranqüilo, pois esse é um excelente momento para adquiri-los,
com a melhor das motivações: sermos os melhores adultos que essas crianças
podem ter por perto!
Boa sorte para nós em nossas jornadas!
Mais sobre esse o tema "comunicação com crianças" da série "Não se educa à distância" aqui e aqui.
Mais sobre esse o tema "comunicação com crianças" da série "Não se educa à distância" aqui e aqui.
Beijos
#PsiMama
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